Da cozinha, escolho a que encontra sentido numa boa companhia, com pessoas que não são indigestas, que sabem saborear pratos e vida.
Perfeito é quem aceita que as imperfeições são construções do ser e entende que todos somos obras inacabadas.
Prezo, e muito, a liberdade. A minha e a alheia. Foi uma conquista. É um direito.
Como profissional e como cidadã, defendo a liberdade de expressão como direito individual e coletivo essencial à formação do patrimônio cultural do país.
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Constituição Federal, Art. 5º, IV -“é livre a manifestação do pensamento,
sendo vedado o anonimato;”.
Constituição Federal, Art. 5º,IX - “é livre a expressão da atividade intelectual,
artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença;”.
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Defendo a liberdade de imprensa e o direito de acesso à informação porque fundamentais à democracia.
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Constituição Federal, Art. 5º, XIV – “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;”.
Constituição Federal, Art. 5, XXXIII – “todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;”
Constituição Federal - Art. 220 – “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”.
§ 1º - “Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV”.
§ 2º - “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.” |
Como agente cultural e consumidora da arte em suas diversas manifestações, tenho consciência do necessário respeito ao direito autoral.
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Constituição Federal, Art. 5º - XXVII - “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;”
Constituição Federal, Art. 5º - XXVIII - “são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;”. |
Sem liberdade de imprensa, não há estado democrático. Ou há, mas capenga, só de aparência. É quando se concentra o perigo do disfarce da opressão, do cerceamento escamoteado, da mensagem subliminar de intimidação.
O pleno exercício da liberdade de imprensa é um direito que não se circunscreve ao interesse de quem é profissional e está na lida. Deve ser o compromisso de uma nação a defesa desse direito conquistado por todos, para todos. Não pertence a pessoas, individualmente consideradas, a entidades nem aos governos, embora todos devam preservá-la. A liberdade de imprensa é uma instituição universal. Pertence a todos os povos e a todos os cidadãos.
Sem liberdade de imprensa não há informação. E sem informação a nação é seqüestrada no seu direito ao conhecimento dos fatos, à livre circulação de idéias, ao saudável debate pluralista.
Sem liberdade de expressão, não há manifestação do pensamento nem da arte. Não há atividade de comunicação possível. Não se poderia escrever um só verso, a linha de uma crônica, uma obra, mínima que fosse. Ou poderia, mas sem levá-la a ninguém, o que faz perder todo o sentido, pois a arte precisa expandir-se, ir à direção do outro, para contemplação, envolvimento, no místico encontro entre criador e público. A arte não foi feita para porões, embora também neles se faça. Precisa da luz, do sopro de vida que há na leitura atenta, na audição com sensibilidade, no folhear curioso das páginas, nas platéias, no aplauso, na crítica. Jamais precisa da indiferença, porque isso aniquila outro tipo de liberdade: a de continuar a crer em si mesmo e no que faz.
Quem escreve, recria emoções e ao se expressar, de qualquer modo, é livre para ser o que é na totalidade da sua expressão. Jamais será pequeno, mesmo que não combine com o gosto da maioria. O fazer artístico esboça o obreiro da palavra, o escultor da mensagem e, por um instante, ao menos, o autor se transmuta para o coração alheio e o toca. Não raro, nele se perpetua. Para isso, precisa ser livre para se expressar, para se entregar com inteireza à obra. Sem medo dos outros e sem a ceifa da autocensura, sem opressões nem pressões, com garantias e sem ameaças. Sem violência nem morte, ainda que silenciosa, como a que se dá pelo desestímulo de continuar a trilha, por falta de apoio e por inexistência de meios eficientes para oferecer a mais pessoas o que ainda fica restrito a poucos, porque parcos os recursos e a ajuda, menor ainda.
Para o escritor, como para o jornalista, não bastam boas histórias em mão. Precisa de um espaço que recolha o escrito para depois difundi-lo. No caso dos livros, ampliem-se as bibliotecas, como chance de chegarem mais pessoas perto da cultura. Mesmo que não comprem, como gostaríamos.
Muitos não podem comprar livros como outros tantos não compram jornais. Ainda assim, se deve incentivar a leitura, porque ela é portal para o conhecimento e, daí, para a sabedoria. Alcancem pão, emprego, saúde e tudo quanto acresce valor a uma condição digna de vida. Mas dêem leitura a todos, desde que as pessoas juntam as primeiras letras diante dos olhos até o seu último suspiro. E aos ousados de muita fé, venham incentivos legais e outros ternos, também motivadores. Não fechem portas, os que detêm as chaves. Ousem entrar, os que têm a ousadia de fazê-lo. Mas que sempre se dê chance de escolha entre querer e poder, para preencher o abismo entre vontade e possibilidade.
Defendamos um pouco além de nossos umbigos, pois eles estão bem abaixo de nossos olhos, feitos para mirar adiante. Se não houver leitores, pouca importância haverá para os livros. Do mesmo modo que não haverá expressão nem imprensa se não houver liberdade.
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